Como posso não comer bem?
E não sentir algum prazer?
Se eu sei que ali na esquina
Tem gente sem o que comer...
Como posso dormir em paz?
Na minha cama, um vazio...
Na cidade onde eu vivo
Alguém hoje morre de frio
E o carro que eu tanto quero!
E o conforto e a comodidade...
Tem gente rezando, pedindo
Minhas pernas, triste verdade!
Eu reclamo do meu emprego
- Trabalho sem dignidade!
Olho em volta: escravidão!
Não é opção, é realidade...
Minha vida é sempre difícil
Quase sempre sem dinheiro
E o catador encontra no lixo
Seu sustento o ano inteiro
Meus sonhos? Ah... Nunca chegam!
De poder viajar pelo mundo
Enquanto alguém sonha com “Água”
Matar a sede por um segundo
E eu reclamo do sol escaldante
E da rua sem arborização
E enquanto isso crianças
Trabalham em usinas de carvão
Por mais difícil que seja
Levar a vida desse jeito
Hoje inclino a cabeça
Diante do mundo que vejo
Não posso ser tão egoísta
Ao ponto de acreditar
Que me puseram em vida
Sem alguma missão me deixar
Missão que não é reclamar
Nem ser indiferente à questão
É deixar de olhar a mim mesmo
E passar a estender a mão