Festa de aniversário não é um consenso. Tem gente que gosta de aniversariar e adora comemoração, festa, presentes. Outras pessoas não. Tem quem não goste nem que lembre do dia que nasceu.
Eu sou meio termo. Gosto que lembrem do meu aniversário e sempre faço algo com meus amigos, como sair e beber uma cerveja. Mas não gosto de me expor e eles sabem disso. Gosto de coisas simples, como um gesto de carinho, uma mensagem, um cartão. Não ligo pra presentes caros. Ligo pra presença. E por isso valorizo o aniversário dos outros também.
Durante a minha vida, lembro que eu tive duas festinhas surpresas. Uma quando fiz 7 anos, organizada pelos meus pais e outra quando fiz 13, pelos meus amigos. Confesso que, apesar de hoje eu sentir gratidão por terem feito isso, não gosto de festas surpresas. Gosto que me surpreenda, mas de coisas discretas, como já disse.
Vou contar como foi minha primeira festa surpresa, a dos 7.
Deus me livre de mim nessa época. Eu era uma criança da peste!
Minha mãe teve muito trabalho pra organizar, pois eu era muito esperta. Uns dias antes, fui convencida a dormir na casa da minha tia, o que já foi um sacrifício. Minha irmã era recém nascida e eu achava que era a responsável legal dela. Ela não sobreviveria sem mim! Mas eu fui, e me convenceram da seguinte forma:
- Se você for, depois de amanhã, nós te levamos pra comer pastel na festa da igreja.
Não tinha coisa mais emocionante na vida do que ir na festa da igreja comer pastel! Primeiro, porque meus pais não eram religiosos, sendo o local sempre novidade. E segundo que essa festa lotava, enchia de adultos, que não eram meus pais. Eu me sentia importante e adulta indo na festa da Matriz. Enquanto estava na casa da minha tia, minha mãe mandou um vestido lindo pra eu usar na festa. Mas eu odiava vestidos e já dei meu primeiro nó. Foi difícil minha tia me convencer a usá-lo. Seu melhor argumento foi:
- Nossa! Parece que você está fazendo dezoito anos em alguns dias, não sete!
Aí eu coloquei ele. Eu tinha essa coisa de querer ser adulta. Talvez porque os adultos se respeitassem mais. Fiquei dois dias sonhando com aquela muvuca toda. Todo mundo jogando bingo, dançando, conversando e aquele pastel delicioso... hum...
Até que o dia da festa chegou. Minha tia até deixou eu usar o perfume dela. Antes de ir pra festa, ela falou que teve uma ideia.
- E se a gente passasse na sua casa pra ver se seus pais querem ir também?
Fiquei brava. Já estava imaginando toda a independência sem meus pais e minha tia tem essa ideia?!
- Acho ruim.
- Mas e se sua mãe quiser pastel também?
- Ela vai outro dia e compra.
- Está bem. Não vou chamar eles. Mas, vamos ter que passar na sua casa pra que eu pegue meu casaco que ficou lá, tudo bem?
E eu lá, tinha escolha?
Chegando na minha casa, percebi que a rua estava cheia de carros, mas não desconfiei de nada. As luzes estavam todas apagadas e já pensei comigo: "Eu saio e eles apagam as luzes! Será que eles não sabem que o bebê não gosta de escuro?? Tenho que ensinar tudo!"
Quando minha tia bateu no portão, minha mãe abriu a porta e de repente:
- SURPRESA!!!
Acenderam-se as luzes, meus olhos ficaram num clarão só por um instante até que consegui enxergar de onde vinha aquele barulho todo. Uma multidão de pessoas me rodeando por todos os lados, olhando pra mim e cantando alucinada e freneticamente "parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida". Tentei localizar alguém conhecido e parecia naquele instante que eram todos ETs, que minha família inteira tinha sido abduzida desse mundo e que a cabeça de todo mundo estava naquele momento mais inchada, como um balão. Olhei pra frente e localizei minha mãe com aquele sorriso de orelha a orelha me olhando, empolgada. Olhei para o meu pai num cantinho afastado balançando minha irmã no colo. Olhei pro lado, havia uma mesa, com um bolo enorme, cheia de doces e outras duas do lado, cheias de salgados, pães com salsicha, refrigerantes (festa anos 90, saudades!). Naqueles momentos finais do parabéns foi que comecei a entender o que estava acontecendo. E as cabeças inchadas foram começando a esvaziar e fui reconhecendo tios, tias, primos, primas, vizinhos, amigos dos meus pais, mineiros infiltrados, o papa.
Até que o parabéns acabou.
Todo mundo que estava sorrindo foi parando com a excitação e ficaram olhando pra mim, com cara de curiosidade. O ambiente foi silenciando ainda mais até que só escutava-se o grilo no jardim.
Foi então, que um conhecimento súbito se apropriou de mim. Arregalei os olhos pra minha mãe na minha frente, virei a cabeça e olhei pra minha tia atrás de mim e me empoderei de uma raiva muito grande, me fazendo gritar bem alto, soletrando cada sílaba:
- EU QUE RO CO MER PAS TEL NA I GRE JA!!!
Sim, eu era terrível.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
Roda Viva, MPB4, o Velho Chico, novamente + Engenheiros do Hawaii
Senti vontade de falar de música de novo.O blogue é meu, bom ou ruim, posso falar do que eu quiser né? E hoje quero misturar tudo. Porque estou com vontade e pronto.
Eu sempre gostei de velharia. Desde criança ouço canções da Elis Regina, Clara Nunes, Chico Buarque. Um pouco, por influência do meu pai que tinha muitos vinis de MPB. E porque sempre tive um espírito meio velho mesmo. Temo ter nascido um pouco atrasada, mas talvez se nascesse na década de 70, por exemplo, gostasse de coisas da década de 50 e assim por diante, pois talvez o que eu goste mesmo seja contrariar a vida, a roda viva.
Por falar em Roda Viva, está aí uma das canções que adoro.
Ela foi escrita por Chico Buarque para uma peça teatral dele mesmo, chamada também Roda Viva. Nada tinha a ver com a ditadura (como muitos pensam) e sim uma reflexão sobre a história de um cantor "engolido" pela massificação midiática. O que aconteceu é que em 1968, enquanto a peça estava rolando, o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) invadiu o teatro, depredou todo o cenário e meteu o cassete em todo mundo. Por isso, a música foi associada à ditadura militar e ficou tão famosa.
Mesmo assim, é uma letra reflexiva. Acho uma obra prima, dentre muitas desse poeta.
Gosto dessa música cantada pelo quarteto MPB4 do qual sou uma grande fã desde menina. Não sei o que realmente me faz gostar tanto deles, mas eu gosto muito, muito mesmo. E é uma das minhas metas de vida, ir no show deles. Do Chico não faço muita questão, mas deles sim. E preciso realizar logo meu desejo, já que não são tão jovens assim mais. (Queria ver o Vander Lee também, admiro muito sua história, e o cara me morre tão novo!).
Outra música que amo e acho que compartilha um pouco da reflexão de Roda Viva sobre a massificação das coisas e a desvalorização do indivíduo é Terra de Gigantes, dos Engenheiros do Hawaii. Comecei a ouvir os caras com meus 11 pra 12 anos de idade e desde então gosto muito.
Pronto, vou parar por aqui, senão eu continuo escrevendo, escrevendo e escrevendo sem parar, porque hoje estou empolgada. E deixo aqui meu apreço por tudo isso embolado que citei.
Roda Viva
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
https://www.youtube.com/watch?v=HvK2LYDYLj8
Terra de Gigantes
Engenheiros do Hawaii
Hey, mãe!
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo
Que eu queria ter
Mas, hey, mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente
O que fazer
Hey, mãe!
Tem uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais
Não querem nem saber
Mas agora, lá fora
O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas
De qualquer lugar
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Hey, mãe!
Já não esquento a cabeça
Durante muito tempo
Isso era só o que eu podia fazer
Mas, hey, mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente não consegue entender
Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer
Pois agora lá fora
O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas
E milhas e milhas e milhas e milhas
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Mega, ultra, hiper, micro
Baixas calorias
Quilowatts
Gigabytes
Traço de audiência, tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?!
E nessa terra de gigantes
Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Hey, mãe
Hey, mãe
https://www.youtube.com/watch?v=LU9deI7Czy8
Eu sempre gostei de velharia. Desde criança ouço canções da Elis Regina, Clara Nunes, Chico Buarque. Um pouco, por influência do meu pai que tinha muitos vinis de MPB. E porque sempre tive um espírito meio velho mesmo. Temo ter nascido um pouco atrasada, mas talvez se nascesse na década de 70, por exemplo, gostasse de coisas da década de 50 e assim por diante, pois talvez o que eu goste mesmo seja contrariar a vida, a roda viva.
Por falar em Roda Viva, está aí uma das canções que adoro.
Ela foi escrita por Chico Buarque para uma peça teatral dele mesmo, chamada também Roda Viva. Nada tinha a ver com a ditadura (como muitos pensam) e sim uma reflexão sobre a história de um cantor "engolido" pela massificação midiática. O que aconteceu é que em 1968, enquanto a peça estava rolando, o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) invadiu o teatro, depredou todo o cenário e meteu o cassete em todo mundo. Por isso, a música foi associada à ditadura militar e ficou tão famosa.
Mesmo assim, é uma letra reflexiva. Acho uma obra prima, dentre muitas desse poeta.
Gosto dessa música cantada pelo quarteto MPB4 do qual sou uma grande fã desde menina. Não sei o que realmente me faz gostar tanto deles, mas eu gosto muito, muito mesmo. E é uma das minhas metas de vida, ir no show deles. Do Chico não faço muita questão, mas deles sim. E preciso realizar logo meu desejo, já que não são tão jovens assim mais. (Queria ver o Vander Lee também, admiro muito sua história, e o cara me morre tão novo!).
Outra música que amo e acho que compartilha um pouco da reflexão de Roda Viva sobre a massificação das coisas e a desvalorização do indivíduo é Terra de Gigantes, dos Engenheiros do Hawaii. Comecei a ouvir os caras com meus 11 pra 12 anos de idade e desde então gosto muito.
Pronto, vou parar por aqui, senão eu continuo escrevendo, escrevendo e escrevendo sem parar, porque hoje estou empolgada. E deixo aqui meu apreço por tudo isso embolado que citei.
Roda Viva
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
https://www.youtube.com/watch?v=HvK2LYDYLj8
Terra de Gigantes
Engenheiros do Hawaii
Hey, mãe!
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo
Que eu queria ter
Mas, hey, mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente
O que fazer
Hey, mãe!
Tem uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais
Não querem nem saber
Mas agora, lá fora
O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas
De qualquer lugar
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Hey, mãe!
Já não esquento a cabeça
Durante muito tempo
Isso era só o que eu podia fazer
Mas, hey, mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente não consegue entender
Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer
Pois agora lá fora
O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas
E milhas e milhas e milhas e milhas
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Mega, ultra, hiper, micro
Baixas calorias
Quilowatts
Gigabytes
Traço de audiência, tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?!
E nessa terra de gigantes
Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes
Hey, mãe
Hey, mãe
https://www.youtube.com/watch?v=LU9deI7Czy8
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Meu primeiro namorado
Esses
dias, estava relembrando com minha mãe o dia que comecei a namorar. Meu
primeiro namorado. Devo até desculpas a ele, pois nem mesmo lembro quem é. Lembro
do nome dele, mas não do rosto. Talvez se eu ver ele na rua, vinte anos depois,
eu o reconheça e caia na gargalhada ou talvez não. A questão é que foi uma
mistura de inocência, comédia e muita paixão envolvida, que minha mãe lembra
dos detalhes muito mais que eu.
Eu
tinha cinco anos. E era meu primeiro ano na escola. Na época eu ainda era filha
única e tinha poucos primos meninos que vieram a nascer depois. Por isso, esse
foi meu primeiro contato próximo com tantos batutinhas do sexo oposto.
Lembro
como se fosse hoje a vergonha que tive no primeiro dia de aula. Queria muito
voltar pra casa e ficar com minha mãe. E antes que você pense que fui uma
criança tímida, na verdade não. Sempre fui muito intensa. Sempre. Mas quando
criança eu era ainda pior. Porque tudo que eu sentia era com muita veemência. Se
eu estava tímida, era muita timidez, se estava brava, era muita raiva
envolvida, mas se era pra fazer drama, eu era a rainha. E quando eu achava que era hora de sofrer, eu
sofria de verdade, mas com bastante força mesmo! Meu primeiro dia foi de muita “sofrência”.
Até
que vi ele: Alessandro! O engraçado é que não lembro do seu rosto, mas consigo
imaginar o meu olhando pra ele. Com a cabeça inclinada sobre a carteira eu passava
a aula dando aquelas olhadas discretas e abaixando novamente a cabeça. De vez
em quando nem mesmo minha cabeça precisava mexer. Aquela olhada que sai do
canto do olho e que você enxerga a pessoa sem ela nem sequer saber que você
existe, eu fazia com o Alessandro.
Como meninas são bobas! Fico pensando
nisso... O tempo passa e ainda vejo mulheres da minha idade fazendo os mesmos
gestos ao paquerar um homem.
Resumindo:
passei a gostar de ir pra escola!
Fiquei
um tempão paquerando o Alessandro e o engraçado é que não me interessava que ele nem me desse bola. O meu hobbie era gostar dele, ele retribuindo ou não. E na
verdade, é claro que ele não dava. Na época, meninos dessa idade queriam outra
coisa que vinha com controle remoto (ainda que esses meninos tenham crescido e que
continuem querendo controles remotos!).
Até
que algo, que só pode ser coisa do destino (meu lado intenso), aconteceu.
Minha
primeira quadrilha de festa junina. E a professora sorteou os pares para a
dança. Eu fechei os olhos com força e mentalizei meu desejo. Mas, com tanta
força, que até hoje não sei se todos ouviram meus pensamentos aquele dia. E sim!
Ela falou meu nome e o do Alessandro!
Quase
tive um treco com cinco anos. Mas, o mais engraçado do sorteio foi outra coisa.
Eu estudava com uma prima. E na nossa sala tinha um garoto que era o mais “ranhentinho”
de todos, chamado Mariano. O meu tio, que gostava de pegar no nosso pé, dizia que minha
prima quando crescesse iria casar com ele, só pelo gosto de tirar sarro e ver minha prima toda vermelha de tanta raiva. E no sorteio da quadrilha: minha
prima caiu com o coitado. Enquanto fui embora rindo, feliz da vida aquele dia,
minha prima foi chorando.
Mas, deixo aqui minha homenagem ao Mariano, um dos
poucos que ainda tive contato depois de adulta. E olha, vou te contar! O “ranhentinho”
cresceu! E olha, vou te falar! Deixou de ser “ranhentinho”! E olha, vou repetir! Nunca mais vi o Alessandro, mas duvido que dá metade do Mariano!
Do
mais, o dia da quadrilha. Foi lindo, foi ótimo, foi uma mistura de paixão e
ansiedade de pegar na mãozinha daquele menino, que nossa! Parecia que ele não
estava me levando pro caminho da roça, mas pro altar mesmo.
E o que se sucedeu foi o mais engraçado dessa história. Pra
ficar legal, vou narrar o fato.
Um
dia, cheguei da escola, guardei minha mochila e fui atrás da minha mãe.
-
Mãe, tenho um assunto muito sélio pa tatar com você!
Minha
mãe, meio preocupada e muito desconfiada me acompanhou até a sala. Sentei num
sofá, minha mãe no outro. Cruzei minhas pernas, coloquei minhas mãos sobre elas
e falei:
-
Mãe, peciso te contar um seguedo. Mas, você não pode contar pra ninguém! Pomete?
-
Prometo! – e fez um gesto de zíper na boca.
-
Mãe, eu estou namolando. O nome dele é Alessandu. Ele estuda comigo.
Minha
mãe olhou pra mim com cara de surpresa:
-
Verdade? Mas você gosta tanto assim dele?
Abaixei o rosto num tom sério:
- Mãe!
Eu amo ele, mais que tudo! Pomete que não vai contar pu pai?
-
Pode deixar. Vai ser nosso segredo.
Coloquei
o dedo mindinho e minha mãe retribuiu colocando o dela. Era nosso juramento.
Então,
me dei por satisfeita, levantei do sofá em direção ao quarto. No meio do
caminho, eu parei, olhei pra trás e complementei com algo importante:
-
Mãe, pomete mais uma coisa?
-
Ok, pode falar. – Minha mãe disse, rindo de canto.
-
Pomete que não vai contar nosso seguedo po Alessandu?
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