De que tanto sofre esse corpo moribundo?
O que tanto anseia, o que se quer com tudo isso?
Das quedas e picos de estranha criatura que me sinto
Numa prisão eterna de sentidos sufocados
Sentimentos atordoados
Depois, como se numa nuvem passageira
Tudo se esvai
Do que é feita essa célula?
Essa aqui, que pulsa aguda
E tão perene, tão profunda
Feito vela queimando a cera
Lenta e ardentemente fugaz
Passa o pico, desce a montanha
E pega a estrada como se não houve
Se esquece da subida
Simplesmente vai
Que sufoco é ser essa alma
Um misto de alegria e dor
Ser e estar, depois não estar e nem mais querer ser
Das paredes uterinas e cordas vocais
Insano, tenso, é doido de se ver
E sobe e desce e faz a curva
Tudo aqui, nesse tempo rápido e cruel
Que é de um filme no mesmo mês
Eles nunca entenderão
É impossível sentir o mesmo
É inexplicável e incompreensível
É dolo e culpa, alegria e prazer
Que beira a insanidade, que faz adoecer
Não há como saber
O pulso é livre e preso
A terra é a própria entranha
Quando a carne abre clamando o abismo
E depois o céu
Eu clamo que deus não exista
Que nada seja retornável
E que ninguém volte de novo
Porque dessa experimentação que vivo
Desse luxo de existência e resistência
Não tolero mais a loucura que é ser
Em mais que uma vida
Mulher