Não sou muito fã de poesias. Penso, às vezes, que para ser poeta e gostar de poesias é preciso ter a sensibilidade a flor da pele. É necessário entender o oculto. Sou muito superficial pra isso. Sou explosão de sentimentos meramente superficiais. Mesmo assim, já li e leio de vez em quando alguns poemas.
Desse modo, poetas já me tocaram o coração. Cecília Meireles com suas Luas Adversas e Patativa do Assaré com seu (Meu) Protesto, por exemplo. Cada poeta tem seu tempo e sua verdade. E como é legal observar essas verdades que refletem suas personalidades.
Hoje vou falar de um conterrâneo latino muito conhecido e prestigiado: Pablo Neruda. Gosto dele.
A primeira poesia que li de Neruda é essa que vou colocar aqui. Me tocou a pele. Eu a senti. E o interessante disso é que Neruda morreu em 1973. E novamente esse fascínio atemporal.
Gosto da biografia do Neruda e de suas frases emblemáticas como:
"Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um
anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios
provocam".
Ele foi um homem ousado e um poeta romântico e apaixonado.
Paixão e romance: boemia pura.
Ah! Peço perdão aos poetas por rabiscar baboseiras aqui de vez em quando.
Soneto LXVI
Pablo Neruda
Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não querer-te chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque te quero.
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
Nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor, a sangue e fogo.