Venha ver o que eu fiz!
Só que venha ligeiro, que não posso esperar
É bonito e tem dengo, só que é tudo de grão
Logo assim que demores, porque é feito de tempo
Pode, de supetão, tudo desmoronar
Chega aqui, por favor!
Me ensine a lidar
Sem espera sequer, não sei o que fazer,
Eu na rua, brincando, de repente, mulher!
E eu não quero crescer, sem nem me preparar!
Mãe, vou aí no domingo!
Por favor, mesa pra três
Que eu levo os filhos da filha, que são pra você mimar
Também levo a sobremesa, não se preocupe com a etiqueta
O pai não vai acompanhar, será só nós dessa vez
Mãe, vamos tomar um café?
Me diz, como você está?
Que a vida passou depressa, e às vezes, nos prega peças,
Estamos aqui conversando, como duas amigas velhas
Que se esforçam pra se encontrar
Minha mãe, tens que comer!
Me ajude a te cuidar
Que o alimento da alma é o amor, mas do corpo é o sabor
Que recusas, tão descrente, que um dia, existiu a gente,
E no meio dessa dor, resta só te alimentar
É que ontem eu te olhei
Num olhar apaixonado, dentro de minha pequenez
De um ser desamparado, que precisa de um colo
E correu o mundo depressa, tempo tão subestimado!
Que minha vez, enfim, chegou, de ser teu materno solo